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26 de Dezembro de 2004
26 de Dezembro de 2004
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Hoje é um dia que ficará marcado por ter sido acordada pela minha mãe, como quase todas as manhãs desde que vim para casa, com as seguintes palavras, entre outras: “houve uma tragédia no mundo. Um terramoto seguido de um tsunami abalou a Ásia.” Levantei-me, meia trôpega, fui lavar a cara e quando cheguei à sala estava a minha família agarrada à televisão, “sedenta” de novas notícias. Não só porque realmente estavam – estávamos todos – chocados com o que aconteceu (sublinho que toda esta fúria da natureza deu-se enquanto estávamos a ver o filme da SIC, o 5 sentadinhos no conforto da nossa sala, mal imaginando o horror que se estava a dar no outro lado do mundo) e na altura não se sabia grande coisa, apenas mesmo o essencial, como sabíamos que um casal amigo da minha mãe costuma ir passar o Natal à Tailândia com os três filhos. Depois, felizmente, soubemos que este Natal eles ficaram em casa, em Macau, mas ainda estamos à espera de ter notícias de um irmão dessa amiga, que estava em estágio na Índia. Esperemos que tudo corra bem.
Em pleno Natal, já o ano passado houve um terramoto de grandes dimensões neste dia, o que será que alguém nos quer transmitir? Será que, de uma forma catastrófica, épica até, esta é uma lembrança da fragilidade da vida humana? Será que, já que as nossas vidas podem ser ceifadas, assim, em minutos apenas, sem que possamos fazer nada, vale a pena ter esperança?
Isso leva-me à segunda parte deste dia. Eu ia jantar com os meus amigos de cá, tinha mias ou menos tudo programado mas hoje não me apetecia muito sair de casa. Não sei, mas não me apetecia. O João Boto e o João Henrique, dos melhores amigos que poderia encontrar, passaram cá por casa e arrancaram-me de casa durante duas horas. Diverti-me bastante, muito mesmo, mesmo quando fomos enregelados do café da marina até ao parque de estacionamento. Só faltavas lá tu, Susanita. Depois cheguei a casa, estive literalmente duas horas agarrada ao sofá, com o resto da família, a ver o Senhor dos Anéis. Jantámos e vimos o Para Sempre Cinderela. É uma história que sempre, sempre me transmite esperança, não só a nível do amor ou da felicidade, mas também da bondade das pessoas. Aliás, como vários filmes que passaram neste Natal.
Entre os melhores amigos do Mundo e uma das melhores histórias de amor (mesmo sendo fantasia), entre a felicidade nos olhos dos meus pais de nos ter cá de férias ou mesmo da luzinha trémula que se vê no fundo do olhar da minha avó quando fala das suas netas com alguém, entre os grandes grandes amigos que fiz desde que fui para a faculdade e todos os que deixei cá, entre os momentos de pura gargalhada, de puro choro no ombro de alguém, de pura alegria mesmo no meio do silêncio, chego a conclusão que podemos não ter nada, podemos não ter mesmo mesmo nada, mas não devemos perder a esperança, por mais negra que seja a situação. Porque se tivermos esperança, conseguimos arranjar força para dar significado à nossa vida, e termos amor à nossa própria vida.
E por favor, deixemo-nos de queixar dos nossos problemas. Vamos resolvê-los na sua hora certa, sem preocupações em demasia que toldem o nosso raciocínio. Tudo bem que são problemas na nossa própria magnitude mas, quando estivermos tristes porque não podemos ir a um sítio por qualquer razão e transformamos isso num problema ou não temos alguma coisa que queremos, porque não pensarmos por exemplo no que aconteceu hoje, em que milhares de famílias foram privadas de tudo?
Desculpem, sei que é um grande desabafo mas, eu própria me critico. Eu crio milhares de problemas. E elevo-os a proporções que pouca gente imagina. Talvez este Natal eu tenha recebido a visita dos famosos três espíritos, e que eles é que me tenham levado a esta mudança de pensamento, que espero, seja permanente.
De qualquer maneira, quero-vos desejar a todos um feliz ano novo, já que só vou por isto na net no dia 28 e espero que tenham tido o melhor Natal até hoje!
Um excelente 2005 para todos!!
Beijos, Fia
What is life without love?